Rir junto é melhor que falar a mesma língua. Ou talvez o riso seja uma língua anterior que fomos perdendo à medida que o mundo foi deixando de ser nosso.
Eu não tenho medo do silêncio. Eu conheço o meu silêncio. Ele é uma grande planície ensolarada de solo fértil e aves acrobáticas no céu. Nele escrevo meus pensamentos, minhas ilusões. Em meu caminho, as palavras são apenas pequenas pedras que encontro. Gosto de empilhá-las fazendo poesia, mas sei, que com isso, posso perder o magnífico horizonte que o silêncio me dá.
A ciência procura explicar tudo, até o amor. Mas daí eu vejo o sorriso dela… e cara, isso não pode ser ciência.
Portanto, agora, ali estava eu. Sentado ouvindo a chuva. Se eu morresse agora, ninguém verteria uma lágrima em todo o mundo. Não que precisasse disso. Mas era estranho. Até onde um trouxa pode ficar solitário? Mas o mundo estava cheio de velhos rabugentos como eu. Sentados ouvindo a chuva e pensando para onde foi todo mundo. Aí é que a gente sabe que está velho, quando fica pensando para onde foi todo mundo.
Não compensa entrar na dança depois que a música parou.
Procurei uma maneira, de guardar em mim cada gesto seu. Procurei guardar seu olhar, assim como seu sorriso. Em cada cantinho de mim, existe agora um pedacinho de você. Te guardei no fundo do meu coração, como quem guarda um grande e precioso tesouro, pra que assim, eu possa sempre te encontrar, em cada parte de mim.